Aproxima-se mais uma Páscoa e sirvo-me de um trecho do texto escrito pelo confrade espíirta Marcelo Henrique*, da ABRADE, para expressar os sentimentos de uma espírita, ante esse importante momento.
"Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.
Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a Vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena".
* Diretor de Política e Metodologias de Comunicação, da Abrade (Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo)
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quinta-feira, 5 de abril de 2012
sexta-feira, 9 de março de 2012
Fetofobia e obscurantismo
Percival Puggina
O número de vítimas causadas por todas as discriminações odiosas, somadas e multiplicadas por mil, não se aproxima da carnificina causada pela fetofobia.
Estima-se que ela produza, no mundo todo, cerca de 50 milhões de execuções/ano (algo como oito holocaustos a cada 365 dias, ou 2500 jamantas carregadas de fetos).
Trata-se, portanto, de um mal a exigir severas medidas restritivas à sua propagação.
A fetofobia vai direto da tolerância ao ato. Da teoria à prática.
Ela discrimina e mata implacavelmente aqueles contra os quais se volta.
Como não tem justificativa moral, insinua-se mediante raciocínios sofistas e capciosos.
Outro dia, um fetofóbico, indignado, acusava os defensores da vida de se fundarem em princípios e convicções.
Tinha razão. A promoção do aborto só se sustenta no contexto oposto, no contexto dos palpites que caracterizam o relativismo moral e o hedonismo mais rasteiro.
Se princípios e valores não servem para discutir o respeito à vida humana, tampouco servem à Política, ao Direito e à Justiça, bem como à Saúde e à Educação. E assim se esclarece muita coisa.
Todos conhecem a frase do Goebbels sobre a mentira incansavelmente repetida. Mas o que ele ensinou vale, também, para a insistente negação da evidência e para a repetição da tolice. "O Brasil é um país laico!", proclamam os fetofóbicos como se tivessem atingido a epifania do saber.
E daí? Significará isso que qualquer convicção moral, qualquer constatação científica, qualquer reflexão filosófica que coincida com uma afirmação religiosa deva ser banida do catálogo das ideias e expurgada de todo debate civil?
Mas é inútil contestar os piores cegos e surdos, que não querem ver, nem ler, nem ouvir.
Amanhã, os fetofóbicos estarão repetindo, goebbelianamente:
"O Brasil é um país laico. Oba, legalizemos a chacina!".
Ninguém precisa ter lido Julien Freund para perceber, em si mesmo, que as dimensões do ser humano - a política, a religiosa, a cultural, a econômica, a ética e a artística - convivem, necessariamente, umas com as outras.
Dar cartão vermelho a qualquer delas, abortando-a do espaço público, como pretendem fazer com a dimensão religiosa, contraria a natureza humana.
Por isso, é aberração só ensaiada nos totalitarismos, como a experiência dos povos demonstra derramando exemplos sobre a mesa da História.
Houvesse busca sincera da verdade, o que aí está dito bastaria.
Mas a fetofobia não se segura.
Ela voltará aos mesmos "argumentos", dos quais se deduz que:
a) a separação entre Igreja e Estado deve aprisionar em um gueto a cidadania das pessoas de fé;
b) quaisquer valores em que se perceba o perfume de alguma religião devem ser barrados na porta dos parlamentos e tribunais por vício de origem;
c) o feto é coisa inútil - arrancado aos pedaços nada sente;
e d) só pode opinar sobre temas de interesse público quem não tiver convicção alguma.
Tanta tolice precisa substituir argumentos por adjetivos.
Então, ser contra o aborto é fundamentalismo e defender a vida é obscurantismo. Tão lógico quanto isso.
Quero louvar, a propósito, a firmeza dos congressistas evangélicos (onde andam os católicos e a CNBB?), acusados pelos fetofóbicos de pretenderem fazer refém ao governo.
É como se o governo pudesse ficar - e como fica! - refém de qualquer bando, de quaisquer negocistas, de quaisquer corporações ou grupos de interesse.
Mas será demasiadamente subjugado, o governo, se aceitar pressões em defesa da vida.
Zero Hora, 26/02/2012
O número de vítimas causadas por todas as discriminações odiosas, somadas e multiplicadas por mil, não se aproxima da carnificina causada pela fetofobia.
Estima-se que ela produza, no mundo todo, cerca de 50 milhões de execuções/ano (algo como oito holocaustos a cada 365 dias, ou 2500 jamantas carregadas de fetos).
Trata-se, portanto, de um mal a exigir severas medidas restritivas à sua propagação.
A fetofobia vai direto da tolerância ao ato. Da teoria à prática.
Ela discrimina e mata implacavelmente aqueles contra os quais se volta.
Como não tem justificativa moral, insinua-se mediante raciocínios sofistas e capciosos.
Outro dia, um fetofóbico, indignado, acusava os defensores da vida de se fundarem em princípios e convicções.
Tinha razão. A promoção do aborto só se sustenta no contexto oposto, no contexto dos palpites que caracterizam o relativismo moral e o hedonismo mais rasteiro.
Se princípios e valores não servem para discutir o respeito à vida humana, tampouco servem à Política, ao Direito e à Justiça, bem como à Saúde e à Educação. E assim se esclarece muita coisa.
Todos conhecem a frase do Goebbels sobre a mentira incansavelmente repetida. Mas o que ele ensinou vale, também, para a insistente negação da evidência e para a repetição da tolice. "O Brasil é um país laico!", proclamam os fetofóbicos como se tivessem atingido a epifania do saber.
E daí? Significará isso que qualquer convicção moral, qualquer constatação científica, qualquer reflexão filosófica que coincida com uma afirmação religiosa deva ser banida do catálogo das ideias e expurgada de todo debate civil?
Mas é inútil contestar os piores cegos e surdos, que não querem ver, nem ler, nem ouvir.
Amanhã, os fetofóbicos estarão repetindo, goebbelianamente:
"O Brasil é um país laico. Oba, legalizemos a chacina!".
Ninguém precisa ter lido Julien Freund para perceber, em si mesmo, que as dimensões do ser humano - a política, a religiosa, a cultural, a econômica, a ética e a artística - convivem, necessariamente, umas com as outras.
Dar cartão vermelho a qualquer delas, abortando-a do espaço público, como pretendem fazer com a dimensão religiosa, contraria a natureza humana.
Por isso, é aberração só ensaiada nos totalitarismos, como a experiência dos povos demonstra derramando exemplos sobre a mesa da História.
Houvesse busca sincera da verdade, o que aí está dito bastaria.
Mas a fetofobia não se segura.
Ela voltará aos mesmos "argumentos", dos quais se deduz que:
a) a separação entre Igreja e Estado deve aprisionar em um gueto a cidadania das pessoas de fé;
b) quaisquer valores em que se perceba o perfume de alguma religião devem ser barrados na porta dos parlamentos e tribunais por vício de origem;
c) o feto é coisa inútil - arrancado aos pedaços nada sente;
e d) só pode opinar sobre temas de interesse público quem não tiver convicção alguma.
Tanta tolice precisa substituir argumentos por adjetivos.
Então, ser contra o aborto é fundamentalismo e defender a vida é obscurantismo. Tão lógico quanto isso.
Quero louvar, a propósito, a firmeza dos congressistas evangélicos (onde andam os católicos e a CNBB?), acusados pelos fetofóbicos de pretenderem fazer refém ao governo.
É como se o governo pudesse ficar - e como fica! - refém de qualquer bando, de quaisquer negocistas, de quaisquer corporações ou grupos de interesse.
Mas será demasiadamente subjugado, o governo, se aceitar pressões em defesa da vida.
Zero Hora, 26/02/2012
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